Prevenção à Saúde

ADPERGS realiza pesquisa sobre a saúde e trabalho das Defensoras e dos Defensores Públicos

Apresentação do Relatório Saúde e Clínica do Trabalho das Defensoras e dos Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul, na sede da ADPERGS. Foto: Manoela Guterres - ASCOM/ADPERGS.

A saúde laboral sempre foi tema central desta gestão. Em 2017, devido a um pedido de ajuda dos colegas, na época em que a atual Diretoria estava em campanha, bem como em visita pelas integrantes da presidência às Comarcas da Defensoria, foi criada a Comissão de Apoio e Prevenção à Saúde, com o intuito, principalmente, de trabalhar questões relacionadas à saúde emocional no ambiente de trabalho.

Como primeira etapa do projeto, foi desenvolvido, juntamente da psicóloga Ângela Leggerini de Figueiredo, um estudo epidemiológico com base nos dados do RH enviados pela Defensoria Pública, de licenças saúde e afastamentos nos meses de setembro, outubro e novembro de 2017. Os indicadores foram levantados com o objetivo de criar estratégias de prevenção do problema a partir do mapeamento e conhecimento da situação.

Prosseguindo nos estudos relacionados ao tema, no começo de 2018, a ADPERGS iniciou mais um trabalho ambicioso na área de prevenção à saúde da classe, objetivando dar visibilidade à qualidade do trabalho e vida das Defensoras e Defensores Públicos.

O estudo intitulado “Saúde e Clínica do Trabalho das Defensoras e Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul”, que foi desenvolvido entre 2018 e 2019, investigou os problemas de saúde relacionados ao trabalho junto as Defensoras e aos Defensores Públicos.

O tema central do estudo realizado foi a atenção à saúde, mais especificamente à categoria que atua na Defensoria Pública do estado do Rio Grande do Sul (DPE/RS). A amostra foi constituída por profissionais pertencentes às Comarcas da região metropolitana de Porto Alegre e capital. Coordenaram a pesquisa a Médica do Trabalho Jane Reos e a Psicóloga Karine Perez, através da Wolff & Wolff Assessoria e Assistência em Saúde.

Segundo estudo, disponibilizado na íntegra na sede da ADPERGS, o projeto “desenvolveu uma pesquisa-intervenção com foco na relação entre saúde mental e trabalho das Defensoras e dos Defensores Públicos do estado do Rio Grande do Sul a partir do marco teórico da Clínica Psicodinâmica do Trabalho - que significa lançar um olhar para o atendimento em saúde mental relacionada ao trabalho, entendendo os processos de modulações, metamorfoses e transformações que têm ocorrido na organização do trabalho e, consequentemente, nas relações de trabalho desenvolvidas”.

Metodologia e recorte do estudo

Esta intervenção foi desenvolvida a partir de uma abordagem quantitativa e qualitativa. A proposta quantitativa se desenvolveu a partir do Protocolo de Avaliação dos Riscos Psicossociais Relacionado ao Trabalho (PROART) e a intervenção qualitativa buscou o uso de rodas de conversa, bem como questões abertas a serem respondidas no protocolo mencionado, com o intuito de compreender a experiência de trabalho das Defensoras e dos Defensores Públicos.

A amostra foi constituída por profissionais pertencentes às equipes de Defensoras e Defensores Públicos da região metropolitana da capital, em cidades polo do interior, com convite à Defensorias Públicas vizinhas, e a VEC de Porto Alegre.
Defensoras e Defensores Públicos participando da pesquisa-intervenção da ADPERGS. Foto: Divulgação.

Resultados

Dentre os 52 participantes da pesquisa, que equivale a 12,74% de Defensoras e Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul, apresentamos o perfil geral dos colegas, extraído do relatório de pesquisa-intervenção.

A maioria dos participantes é do sexo feminino (73,1%) e possuem entre 37 a 41 anos (30,9%), estudaram até a especialização (57,7%). São casados/união estável (82,7%) e em sua maior parte, estavam na Instituição (34,6%) e no cargo atual (38,5) entre 6 e 10 anos. Sendo que 53,8% passaram por 1 ou 2 problemas de saúde no último ano. A partir do desenvolvimento da pesquisa-intervenção observou-se que há inúmeros aspectos que afetam a saúde mental das Defensoras e dos Defensores Públicos do estado do Rio Grande do Sul.

Através do mapeamento, foi possível visualizar a intensidade dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho, que estão ligados a insuficiência de trabalhadores para realizar as tarefas, e ao ritmo inadequado do trabalho, ao trabalho cansativo, desgastante e com sobrecarga. A sobrecarga, por exemplo, foi uma das causas mais prevalentes nas discussões realizadas nas Rodas de Conversa.

Uma parcela considerável do grupo demonstrou sinais de esgotamento mental, ressaltando que o trabalho se apresenta cansativo, desgastante, com sobrecarga. Percebeu-se sentimentos de desmotivação para realização de suas tarefas, frustração, desânimo e sofrimento pelo trabalho que executam e de revolta por terem que submeter o seu trabalho a decisões políticas.

Quanto aos Danos Físicos, Psíquicos e Sociais entre os trabalhadores observou-se que o “mau humor” e a “tristeza” foram os itens que se sobressaíram em Danos Psicológicos, destacando-se ainda os sentimentos de amargura, vontade de desistir de tudo, perda de autoconfiança e solidão. Quanto aos Danos Sociais observou-se a “vontade de ficar só” e a “impaciência” como itens com maiores médias para o risco médio. Quanto aos Danos Físicos verificou-se que entre os trabalhadores, oito dos nove itens ficaram com risco médio, ou seja, os trabalhadores pontuaram ter: dores no corpo, nos braços, na cabeça, nas costas, nas pernas, alterações de apetite e de sono e distúrbios digestivos.

Diretora da Assistência à Saúde, Bárbara Bernardes de Oliveira Sartori, na apresentação do Relatório Saúde e Clínica do Trabalho das Defensoras e dos Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul. Foto: Manoela Guterres - ASCOM/ADPERGS
Segundo a Diretora da Assistência à Saúde, Bárbara Bernardes de Oliveira Sartori, “o método utilizado para a pesquisa foi por amostragem e, apesar da quantidade dos participantes não ter sido expressiva, as afirmações são consistentes a respeito do estado de saúde das Defensoras e dos Defensores Públicos, que foram demonstradas nas rodas de conversa, e segundo preceitos da pesquisa qualitativa. Além disso, foi aplicado questionário como instrumento quantitativo para análise do estudo. Como demonstrado pela Médica do Trabalho Jane Reos, a presente pesquisa demonstrou a saturação de informações, que significa a repetição das temáticas abordadas durante a investigação o que valida o estudo”, finaliza.

A Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul (ADPERGS) tem buscado a implementação de melhorias voltadas às condições de trabalho e qualidade de vida da categoria, através da construção de pautas associativas aptas à melhoria da qualidade de trabalho e de vida da associada e do associado.

A Diretora da Assistência à Saúde ressaltou que as recomendações foram levadas à Administração Superior e que a ADPERGS aguarda as implementações das mesmas, porém já foram tomadas algumas medidas neste sentido. “A Administração Superior já desenvolveu algumas atividades neste caminho, contudo ainda precisamos evoluir muito. Somos uma entidade jovem, mas com idade suficiente para se apoderar de informações relacionadas à saúde mental e ter esse olhar voltado para as Defensoras e Defensores Públicos”, finaliza a Bárbara.

Disponibilizamos, abaixo, uma versão reduzida do relatório da pesquisa-intervenção “Saúde e Clínica do Trabalho das Defensoras e dos Defensores Públicos do Estado do RS”. O material completo encontra-se disponível na sede da ADPERGS para consulta local.
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Centro – CEP 90010-210
Porto Alegre – RS
Tel.: (51) 3224-6282
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