Prevenção à saúde

A saúde mental durante o isolamento social

Imagem: Divulgação

Em meio a pandemia causada pelo COVID-19, a população mundial teve que aprender a ficar em casa e seguir a vida em isolamento social. O ocorrido é um desafio para todos, e para as Defensoras e os Defensores Públicos não é diferente. Além de realizarem um serviço essencial para a população, lidam com altos níveis de estresse devido a carga pesada de horas que o trabalho exige, por isso, é muito importante preservar a saúde mental. Para continuar funcionando, a Defensoria Pública alterou sua rotina, implementando o regime de plantão e o trabalho remoto para levar acesso à justiça para cidadãos durante este período difícil.

Entre 2018 e 2019, a ADPERGS realizou o estudo intitulado “Saúde e Clínica do Trabalho das Defensoras e Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul”, que investigou os problemas de saúde relacionados ao trabalho junto às Defensoras e aos Defensores Públicos. Coordenaram a pesquisa a Médica do Trabalho Jane Maria Reos e a Psicóloga Karine Perez. Os resultados foram expressivos, dentre os 52 participantes da pesquisa, que equivale a 12,74% dos(as) colegas, 53,8% passaram por 1 ou 2 problemas de saúde durante o período avaliado.

Segundo a Doutora em Psicologia Social e Institucional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Karine Perez, o isolamento social pode agravar os problemas de saúde mental que as Defensoras e dos Defensores Públicos já são perceptíveis a ter, afinal, o trabalho presencial possibilita trocas imediatas, como o compartilhamento de angústias e dificuldades que se transcorre na rotina. Agora, as pessoas se vêem com os mesmos (ou até mais) problemas em suas casas, distanciadas dos seus colegas com quem podiam contar para solucionar tais situações. “O home office, especialmente da maneira compulsória como foi proposta, impossibilita esse contato presencial. Para lidarmos com isso, há de se recriar novos modos de promover a socialização e aproximação das pessoas, pelo menos durante o período em que for necessário ficarmos afastados fisicamente”, explicou Karine.

A psicóloga também contou que caso os colegas não atendam aos cuidados à saúde mental,  problemas podem surgir depois, sendo possível serem desenvolvidos sentimentos de solidão, inutilidade, ansiedade, angústia, tristeza extrema, preocupação excessiva com o futuro e sentimento de impotência perante os acontecimentos.

A psicóloga Karine Perez conta que para prevenir os malefícios trazidos pelo isolamento social, os colegas devem estabelecer uma nova rotina de trabalho, para que possam se dedicar a outras atividades, como aquelas que envolvem a família, os cuidados com a casa e momento de lazer. Uma dica é escolher um cômodo da casa silencioso para trabalhar, com um local iluminado e organizado. Priorizar aspectos da vida e ter momentos de reflexão sobre o que se está sentindo, pois, caso haja uma ansiedade, angústia, tristeza, tensão ou outros sentimentos presentes de maneira persistente, é importante buscar ajuda profissional.

A Defensora Pública Anna Carolina Meira Ramos, afirmou que o trabalho está mais complicado, “nossos assistidos são vulneráveis e, muitas vezes, não têm acesso a meio eletrônico para digitalizar ou enviar documentos por e-mail, até mesmo o contato por telefone é difícil”. Além disso, a Defensora relatou que a infraestrutura institucional para o trabalho remoto ainda é instável, o que dificulta ainda mais. Porém, Anna tem suas próprias maneiras de manter a mente saudável e lidar com o confinamento, “tenho tentado manter rotinas diárias, me alimentar bem, fazer minha própria comida, me exercitar em casa, ler, assistir filmes e séries, reservando tempo para cultura e lazer”, concluiu.

A Diretora da Assistência à Saúde da ADPERGS, Bárbara Bernardes de Oliveira, orientou as associadas e associados procurarem ajuda sempre que necessário. “A sobrecarga do cotidiano de trabalho da Defensoria Pública é imensa. Agora, com os processos eletrônicos e home office a demanda aumentou ainda mais, o que já era causa de sofrimento mental. Caso seja necessário procure ajuda”.

ADPERGS sempre próxima de você

A ADPERGS, visando auxiliar as associados e os associadas, teve como primeiro passo o lançamento da campanha “ADPERGS sempre próxima de você”, com objetivo de preservar, tanto a saúde mental, quanto a saúde física. Por meio dos canais institucionais, foram realizadas lives com a psicóloga Karine Perez, abordando a temática “Saúde mental em tempo de coronavírus”, e aulas de exercícios funcionais para fazer em casa, com o treinador físico Rodrigo Quevedo.

Além disso, divulgamos informações úteis e produtivas para se fazer em casa, como: cursos online, museus que disponibilizam visitas virtuais, dicas de como trabalhar melhor no home office e muito mais. Tudo foi pensado para promover o bem-estar de cada Defensora e Defensor Público.

“Estamos passando por um período de adaptação e de preocupação com essa pandemia, mas não podemos, de forma alguma, esquecer da nossa saúde mental e física, razão pela qual a ADPERGS criou a campanha, tendo como objetivo buscar atividades e ações para auxiliar os colegas”, declarou a presidente da ADPERGS, Juliana Lavigne. A ADPERGS se coloca à disposição para auxiliar as associadas e os associados que precisarem de ajuda neste momento.

Cuide da saúde e acima de tudo, fique em casa.

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