Palavra da Presidente

Foto: Sidnei Schirmer

Citando Zygmunt Bauman, “a única coisa que podemos ter certeza é a incerteza.” Nossa geração nunca viveu uma pandemia. Não sabíamos como reagiríamos ante o isolamento social. Mudança de rotina familiar, profissional e o medo. Fatores que não pensávamos que nos atingiriam. Mas estamos sendo atingidos. Filhas e filhos não estão tendo aulas. Passamos a estudar matérias de ensino fundamental, a ler com a família, a dançar, a pintar. Cantamos com os vizinhos pela janela. Batemos panelas, palmas. Brincamos na sacada. Passamos a cozinhar mais. A lavar as mãos incontáveis vezes durante o dia. Nunca lavamos tanto as mãos, embora sempre se soubesse desta recomendação.

No trabalho, estamos nos adaptando a essa nova dinâmica. O teletrabalho, o atendimento remoto, o peticionamento eletrônico. Siga-me, WhatsApp, ZOOM meeting já eram uma realidade e hoje fazem parte da nossa rotina. O trabalho segue como antes, embora diferente. Tão diferente quanto a posse do novo Defensor Público-Geral, Antonio Flávio de Oliveira, cuja transmissão se deu por redes sociais, a quem parabenizamos e desejamos sucesso.

A população vulnerável sabe que pode contar com a Defensoria Pública e estaremos preparados para atendê-la, sem colocar a saúde de ninguém em risco, pois nossa missão é garantir direitos.

Não temos medo, temos responsabilidade e respeito ao outro. Todas as transformações que estamos vivendo trazem angústia e incerteza, mas não podemos nos pautar pela individualidade, mesmo que pareça mais fácil. Precisamos pensar no coletivo.

Pensando na coletividade, buscamos nos adaptar. Gostaríamos de estar confraternizando em nosso novo espaço associativo, mas hoje não é possível. Assim, pensamos em conversar sobre saúde mental, manter rotina de exercícios e compartilhar informações úteis. Fecharemos o mês de abril falando sobre felicidade, embora seja tema difícil em tempos de cólera. Pretendíamos festejar o mês da Defensoria, mas o estado de calamidade não permitiu. Entretanto, estaremos compartilhando lives com colegas de todo o Estado e falando sobre o que gostamos, defensorar. Curaremos as feridas e nos abraçaremos.

A atualidade exige nossa reflexão sobre a modernidade líquida. Nossas conexões, hoje, não servem apenas à visibilidade, mas ao convívio real/virtual. Precisamos nos comprometer, sob pena de corrermos riscos que fogem ao nosso controle. O agora não autoriza mantermos a liquidez da modernidade sem crítica, mesmo com todas as transformações que estamos vivenciando.

Somos importantes não apenas na nossa individualidade, mas, especialmente, na coletividade, estamos fazendo a nossa parte. Encerrando com Bauman, “as condições necessárias para garantir a sobrevivência humana (ou, ao menos, para aumentar suas probabilidades) deixou de ser divisível e 'localizável'. O sofrimento e os problemas de nossos dias tem, em todas as suas múltiplas formas e verdades, raízes planetárias que precisam de soluções planetárias.”

Esperamos que gostem da leitura!

#fiqueemcasa #adpergspróximadevocê

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Juliana Coelho de Lavigne
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