Prevenção à Saúde

Projeto de Prevenção à Saúde da ADPERGS: É necessário estar atento aos sinais

No mês de outubro, o Projeto de Prevenção à Saúde da ADPERGS iniciou as visitas nas Defensorias Públicas do Estado do Rio Grande do Sul. Foram 29 cidades acolhidas em 4 encontros, que contaram com a presença de Defensoras e de Defensores Públicos da região metropolitana de Porto Alegre. Para 2019, a ideia é que a Associação - representada pela vice-presidente Bárbara Sartori e pela associada Cristiaine Johann -, a médica de trabalho e psicólogas possam visitar o interior do Estado, oportunizando que colegas com atuação em Comarcas próximas possam participar.

O Projeto surgiu com o propósito de promover a saúde física e emocional no trabalho, criando estratégias para prevenção dos problemas de saúde ocupacional. Um dos passos é a orientação das Defensoras e dos Defensores Públicos para que possam reconhecer os sintomas de estresse e do funcionamento emocional, visando a diminuição do número de Defensores afastados por licenças-saúde e, consequentemente, aumentando a qualidade de vida do profissional.

A vice-presidente da ADPERGS, Bárbara Sartori, é uma das idealizadoras do projeto, e explica que a preocupação com a saúde dos colegas era um pedido que vinha desde a campanha da atual gestão da Associação, como um pedido de auxílio. “A sobrecarga de trabalho e estrutura ainda deficitária fazem com que os colegas baixem a qualidade do serviço para conseguir atender todos os assistidos. Os colegas sofrem com isso, porque é a vida das pessoas que está em jogo”, afirma Bárbara.

Inicialmente, foram realizadas reuniões, das quais participaram as Defensoras Públicas Cristiaine Johann, Paula Pinto e Bárbara Sartori, de onde surgiram ideias para a criação de atividades voltadas à promoção da saúde e à prevenção do adoecimento relativos ao trabalho. Estes primeiros encontros resultaram em um estudo epidemiológico que analisou dados de afastamentos de Defensoras e Defensores Públicos durante três meses, ponto de partida para o que viria a se tornar o projeto. O resultado foi que o maior índice de afastamentos por transtornos e doenças relacionados à fadiga estavam na região metropolitana de Porto Alegre - onde começaram as visitas nas Defensorias, rodas de conversa e aplicações do PROART - Protocolo de Avaliação dos Riscos Psicossociais no Trabalho. Posteriormente, o objetivo é, dependendo dos resultados obtidos no levantamento de informações, propor uma intervenção coletiva junto à Administração.

A Defensora Pública Mônica Hosni, inativa desde 2010, foi afastada do trabalho e se aposentou em consequência do estresse relacionado à grande carga de trabalho. Por mais gratificante que seja, ela conta que a essência é desgastante, pois precisa de uma entrega total da Defensora ou do Defensor. “A gente sempre quer atender tecnicamente, mas acaba envolvendo o lado emocional, prestando quase um atendimento psicológico. Faz muita falta um serviço de psicologia que trabalhe junto com a gente”, afirma.  

A Defensora Pública Mônica Hosni foi afastada do trabalho por problemas com sua saúde mental. Foto: ASCOM ADPERGS.

Mônica, que reside em Pelotas, iniciou sua carreira trabalhando no Juizado de Menores. Ela lembra que, na época, eram poucos Defensores em sua Comarca e muito trabalho a ser feito. Antes de entrar para a inatividade, ela percebeu que possuía diversas férias e licenças que nunca havia tirado, preocupada com o trabalho que deixaria para trás: “Eu sempre pensava que alguém precisaria de mim, e isso me fazia continuar. Me aposentei em consequência do estresse, do desgaste físico e mental. Quando completei 30 anos de serviço, decidi dar entrada ao pedido de aposentadoria, e saí tremendamente desgastada e doente. Demorei muito tempo para me recuperar”. Ela conta que foram, no mínimo, três anos de terapia, medicamentos e muita força dos amigos que a fizeram estar bem hoje.

Transtornos relacionados à saúde mental podem apresentar sintomas físicos como cansaço, perda da concentração e dificuldades de interação com os colegas, mas, muitas vezes, também é uma doença silenciosa, escondendo-se atrás da grande carga de trabalho, de estudos ou de afazeres domésticos. Assim, em diversos casos, sua presença somente é percebida por meio de outras pessoas, ou quando a situação chega a um estado crítico.

Neste sentido, Bárbara destaca que, muitas vezes, o Defensor Público não se dá conta de que está sobrecarregado com o serviço. Também nestes casos, o projeto auxilia mostrando como os colegas podem perceber os primeiros sinais de quem está sofrendo devido ao estresse. A Defensora Mônica conta que, justamente, não via o que estava acontecendo com ela. “Fui entrando neste processo de adoecimento sem me dar conta. Acredito que nós, Defensores, temos uma garra e um amor tão grande à profissão que o mundo pode desabar que seguimos em frente, sem nos darmos conta de que estamos sendo atingidos”, comenta.

Nestes momentos, a amizade mostra-se de suma importância para a recuperação da autoestima e da felicidade. Para Mônica, foi justamente uma amiga que percebeu que a situação estava piorando, e que ela precisava da ajuda de um profissional. Logo na primeira consulta, a médica já a afastou por 30 dias do trabalho: “eu sequer conseguia falar o que estava sentindo. Eu sentia dores em tantos lugares e de tantos jeitos diferentes... A fragilidade emocional em que me encontrava era tanta que eu achava que iria desabar, caso dissesse para a médica como eu estava me sentindo”. Ela conta que a psicóloga não precisou ouvi-la: ao entrar no consultório, já sabia que o problema exigia seu afastamento do trabalho para conseguir se recuperar.

Demorei muito tempo para me sentir ‘mais ou menos bem’. Agora me sinto melhor”, confessa Mônica. Foto: ASCOM ADPERGS

Os três anos seguintes foram de intensas terapias, que envolviam medicamentos, acupuntura, massagem, academia e caminhadas. “Demorei muito tempo para me sentir ‘mais ou menos bem’. Agora me sinto melhor”, confessa Mônica, lembrando que, no início, tudo foi mais complicado. Ela conta que não sentia vontade de fazer nada, e que percebeu que realmente precisava descansar. Assim, começou a viajar com a família e com os amigos, e, atualmente, também faz trabalhos voluntários: “isso me faz muito bem, me sinto útil. Eu acho que é uma coisa que dá um sentido para a vida”.

Ao final da entrevista, pedimos algumas dicas à Defensora para não se deixar adoecer e também para identificar os sinais de socorro dos colegas à sua volta. Segundo ela, é necessário estar atento aos primeiros sinais de alerta, e procurar ajuda; no segundo sinal, já pode ser tarde demais. A tendência é sempre deixar os problemas pessoais para depois, colocando-se por último.

A segunda dica é o equilíbrio: “se trabalhou muito, te diverte muito. Você volta mais alegre, recarrega as baterias e retoma o trabalho. O que é péssimo para a saúde é só trabalhar e depois se trancar em casa. Às vezes a gente se esquece do quanto isso é importante, porque a vida nos atrapalha”.

A ADPERGS possui uma equipe que está à disposição dos dos Defensores, que conta com uma psicóloga e uma médica do trabalho. Se você, associado, está passando por algum problema ou uma situação complicada, ou conhece algum colega que possa estar precisando de auxílio, entre em contato pelo telefone (51) 3224-6282. A Associação está ao seu lado.

Visitas do Projeto de Prevenção à Saúde da ADPERGS às Comarcas do RS

A 1ª Roda de Conversa aconteceu em Canoas, no dia 22 de outubro, com as Defensoras e Defensores Públicos de Esteio, Sapucaia e São Leopoldo, sendo aplicado o questionário do Protocolo de Avaliação dos Riscos Psicossociais no Trabalho (PROART), e na semana seguinte, no dia 31, foram realizadas visitas nestas Defensorias, com o intuito de avaliar o ambiente e as condições de trabalho (ergonomia).

Já no dia 6 de novembro, a Defensoria Pública de Novo Hamburgo recebeu a 2ª Roda de Conversa com os colegas de Campo Bom, Portão, Estância Velha, São Sebastião do Caí, Montenegro, Parobé, Sapiranga e Taquara; das Comarcas com atendimento por deslocamento de Dois Irmãos, Igrejinha, Santo Antônio da Patrulha, e Ivoti, com atendimento somente por deslocamento.

A 3ª Roda de Conversa aconteceu no dia 12 de novembro, com as Defensorias Públicas de Alvorada, Viamão, Gravataí e Cachoeirinha. Guaíba recebeu a 4ª Roda de conversa no dia 13 do mesmo mês, contemplando as Comarcas com atendimento por deslocamento de São Jerônimo, Charqueadas e Barra do Ribeiro; somente por deslocamento, Triunfo e General Câmara, e Eldorado do Sul e Tapes.

Em 2019, as visitas iniciarão em fevereiro às Comarcas do interior. A ideia é que estes encontros sejam realizados como na região metropolitana, com uma cidade pólo recebendo colegas dos municípios próximos.

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